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terça-feira, 25 de agosto de 2009

Pus o meu sonho num navio

Pus o meu sonho num navio

e o navio em cima do mar;

- depois, abri o mar com as mãos,

para o meu sonho naufragar


Minhas mãos ainda estão molhadas

do azul das ondas entreabertas,

e a cor que escorre de meus dedos

colore as areias desertas.


O vento vem vindo de longe,

a noite se curva de frio;

debaixo da água vai morrendo

meu sonho, dentro de um navio...


Chorarei quanto for preciso,

para fazer com que o mar cresça,

e o meu navio chegue ao fundo

e o meu sonho desapareça.


Depois, tudo estará perfeito;

praia lisa, águas ordenadas,

meus olhos secos como pedras

e as minhas duas mãos quebradas.


Cecília Meireles


sexta-feira, 21 de agosto de 2009

É o poema...

É o poema de quem rasga os versos

porque os sentiu demais para os dizer

e os ouve nas ondas tão dispersos

como os sonhos que teve e viu morrer.


(António Patrício)


quinta-feira, 30 de julho de 2009

tal como me sinto...

"Metade"
Que a força do medo que tenho não me impeça de ver o que anseio.
Que a morte de tudo em que acredito não me tape os ouvidos e a boca.
Porque metade de mim é o que eu grito, mas outra metade é silencio…
Que a música que ouço ao longe seja linda, ainda que a tristeza...
Que a mulher que eu amo seja para sempre amada, mesmo que distante.
Porque metade de mim é partida e a outra metade é saudade.
Que as palavras que eu falo não sejam ouvidas como prece nem repetidas com fervor,
Apenas respeitadas como única coisa que resta a um homem inundado de sentimento.
Porque metade de mim é o que ouço, mas a outra metade é o que calo.
Que essa minha vontade de ir embora se transforme na calma e na paz que eu mereço.
Que essa tensão que me corroi por dentro seja um dia recompensada.
Porque metade de mim é o que eu penso mas a outra metade é um vulcão.
Que o medo da solidão se afaste e que o convívio comigo mesmo se torne ao menos suportável.
Que o espelho reflicta em meu rosto um doce sorriso que eu lembro de ter dado na infância.
Porque metade de mim é a lembrança do que fui, a outra metade eu não sei.
Que não seja preciso mais do que uma simples alegria para me fazer aquietar o espírito.
E que o teu silencio me fale cada vez mais.
Porque metade de mim é abrigo, mas a outra metade é cansaço.
Que a arte nos aponte uma resposta, mesmo que ela não saiba,
E que ninguém a tente complicar, porque é preciso simplicidade para fazê-la florescer.
Porque metade de mim é plateia e a outra metade é canção.
E que a minha loucura seja perdoada.
Porque metade de mim é amor e a outra metade…
Também!
(Oswaldo Montenegro)

quarta-feira, 20 de agosto de 2008

Que amor é esse?

Se for pra me iludir
Eu saio daqui agora
Se for pra brincar
De me amar, to fora
É difícil se entregar de coração
E não saber se é amor, se é paixão ou brincadeira
Eu só sei que aqui dentro do meu peito
É amor pra vida inteira

Fala a verdade
Se abre comigo
O teu silêncio
Me maltrata e me apavora
Que amor é esse?
Que você sente
Só me procura
Toda vez que tá carente
Me ama e vai embora

É difícil se entregar de coração
E não saber se é amor, se é paixão ou brincadeira
Eu só sei que aqui dentro do meu peito
É amor pra vida inteira.

(desconheço a autoria do poema)